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A História de Elizabeth Elliot


Elizabeth Elliot escritora de livros e missionária, hoje irei compartilhar com você um pouco desta história incrível e inspiradora, um exemplo de perseverança e fé, ao ler fiquei completamente impactada, li em um fôlego só, não consegui parar até chegar ao fim, que é muito emocionante também. Deixo a história em primeira pessoa, pois quem pode conhecer melhor a sua própria história do que a própria protagonista?

Nena Fonseca


 

Eu nasci em 21 de dezembro de 1926, em Bruxelas, na Bélgica, onde meus pais serviam como missionários. Tive quatro irmãos e uma irmã. Quando eu tinha apenas alguns meses de idade, minha família se mudou para Filadélfia, no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Acabamos morando em outras cidades americanas também.

 

Desde pequena, meus pais me educaram nos caminhos do Senhor. Eu podia ver o quanto eles amavam a Deus, não apenas por suas palavras, mas pelo seu exemplo e dedicação à obra de Cristo. Fazer Cristo conhecido era o objetivo da vida de meus pais e logo se tornou o meu. Desde bem jovem, entendi que, somente por causa do sacrifício de Jesus, eu podia ter paz com Deus e chamá-Lo de Pai. Isso fez com que eu me comprometesse a seguir a Cristo por toda a minha vida e criou em mim o desejo de ser missionária, assim como meus pais eram.

 

Lembro-me de, aos 11 anos de idade, ter deixado anotado em minha Bíblia uma oração na qual entregava minha vida ao Senhor e pedia que o Espírito Santo me enchesse e me usasse onde e quando quisesse. Tudo isso foi fruto da vida de intimidade com Deus que meus pais tinham e sobre a qual eu testemunhei. Por isso, quero dizer a você, pai e mãe que me ouvem: seus filhos são herança do Senhor, e eles aprendem pelo seu exemplo.


Então, peço ao Senhor a graça de ser um espelho para refletir Cristo na vida deles e também na vida de sobrinhos, netos, irmãos e todos a quem você puder influenciar.


Preparação e Chamado Missionário


Com a convicção de que Deus me tinha chamado para ser missionária e querendo cumprir meu chamado da melhor forma possível, entendi que precisava me preparar. Por isso, me matriculei em uma universidade cristã em 1944, quando completei 18 anos. Meu desejo era ser tradutora da Bíblia, especialmente do Novo Testamento, então comecei a estudar grego clássico.

 

Meu primeiro marido, Jim Elliot, também estava se preparando para cumprir seu chamado como missionário. Foi fácil me apaixonar por Jim. Ele era um homem temente a Deus, tinha zelo pelo seu chamado e era cheio de vida, convicção e amor pelo Senhor e Sua obra. Percebi que, mesmo sendo diferentes em tantas coisas, nos completávamos e que juntos podíamos servir ao Senhor e criar uma família.

 

Se você já leu algum dos meus livros, talvez já tenha ouvido este conselho da minha parte, mas gostaria de dizer aqui novamente: quando você se casa com alguém, precisa entender que o compromisso mútuo com uma crença comum é a única base sólida para uma comunhão duradoura no casamento ou em qualquer outro relacionamento.

 

 Nada menos que isso poderá resistir ao teste da vida. Ou seja, você se casa com alguém que é pecador e carecedor da graça, assim como você é. Ambos entenderão que o casamento envolve sacrifícios. Por isso, escolha alguém que tenha as mesmas crenças que você e que ame a Deus acima de todas as coisas. E, depois de se casar, lembre-se de que você se comprometeu com essa pessoa e mantém esse compromisso sempre pedindo o auxílio da graça de Deus.


Jim e eu queríamos concluir nossa preparação antes de nos casarmos e seguirmos nossa carreira missionária juntos. Por isso, tivemos um relacionamento longo antes do casamento.


Assim, nos conhecemos melhor e alinhamos nossas expectativas e convicções pessoais. Inclusive, antes de me casar, fiz um ano de pós-graduação e especialização em estudos bíblicos no Canadá. Depois, dediquei um tempo a treinamentos práticos como tradutora da Bíblia. Para mim e para Jim, nosso chamado vinha em primeiro lugar. Nós nos amávamos e podíamos esperar o tempo certo de Deus para nos casarmos, o que aconteceu em 1953.


Missão no Equador e a Perda de Jim Elliot


Um ano antes, em 1952, tínhamos nos mudado para Quito, no Equador, onde trabalharíamos como missionários. Iniciamos um trabalho com a tribo indígena Kichwa. Dois anos depois de nos casarmos, tivemos nossa pequena Valerie. Ela veio como um lindo presente de Deus para encher ainda mais nossa vida de alegria e amor. O trabalho entre os índios era difícil, tratava-se de uma cultura muito diferente da nossa, mas estávamos nos entrosando bem e o trabalho evoluindo.


Então, Jim pensou em expandir nossa atuação. Ele queria entrar no território de uma tribo ainda não alcançada pelo evangelho: a tribo Huaorani, também conhecida como Aucas. Era uma missão extremamente perigosa por se tratar de uma tribo violenta e temida até por outras tribos da região. Fiquei temerosa, mas Jim me lembrou que para isso tínhamos ido até ali. Deus nos tinha levado até aqueles povos para contar a eles a história mais espetacular que já se ouviu na Terra: que o Filho de Deus tinha vindo ao mundo e com Seu próprio sangue pagou o preço do pecado do homem.


Jim e mais quatro amigos missionários, cujas famílias trabalhavam conosco, decidiram ir até os Aucas. Todos nós sabíamos do perigo que eles estariam correndo, mas nenhum deles temia, pois na vida ou na morte eles pertenciam a Cristo. Então, lá foram eles. Eu e nossa pequena Valerie, com apenas 10 meses de vida, nos despedimos de Jim. Lembramos a ele que o amávamos e que o Senhor era com ele. Então, o deixamos ir. Os missionários entraram no território da tribo e fizeram contato amigável com três indígenas, mas mesmo assim acabaram sendo todos mortos a flechadas.


Após alguns dias sem qualquer contato ou mensagem de nenhum deles, recebemos uma visita do capitão da polícia local. Eu ainda me lembro de ouvi-lo dizer que quatro corpos foram encontrados no rio e que um deles vestia camiseta branca e calça jeans. Essas eram as vestimentas de Jim, um dos nossos missionários. Naquele momento, eu soube que meu marido estava morto.


Por mais que soubéssemos que a missão era arriscada, eu esperava ver meu marido novamente. Esperava que ele pudesse ver nossa filha crescer. Mas, em meio à dor, o Senhor me lembrou de um versículo que havia trazido à minha mente: "O Senhor é o meu pastor; nada me faltará" (Salmo 23:1).


Continuando a Missão e a Inspiração para Outros


Mesmo após a perda de Jim, continuei meu trabalho missionário entre os Kichwas e, eventualmente, entre os Aucas, a tribo que havia matado meu marido. Com a ajuda de outras missionárias, fui capaz de perdoar os assassinos de Jim e levar a eles a mensagem do amor de Cristo.


Espero que minha história inspire você a confiar na bondade de Deus, mesmo em meio à dor e ao luto. Que você possa encontrar força na fé e continuar perseverando no chamado que Deus tem para a sua vida.


A Força na Palavra de Deus


Dois dias antes, enquanto aguardávamos notícias e orávamos, um verso de Salmos 48:14 veio à mente: "Porque este Deus é o nosso Deus para todo o sempre; Ele será nosso guia até a morte." Nunca é fácil lidar com a perda daqueles que amamos. Fazemos tantos planos e temos tantos sonhos, e quando a morte os interrompe, nos sentimos perdidos. Eu passei por isso e sei o quanto dói, mas também sei que o Espírito Santo nos reveste de força, nos consola e nos ajuda a enfrentar a dor até que ela se transforme em saudade. Afinal, para aqueles que creem em Cristo, a morte não é o fim da jornada. Pelo contrário, ao fecharmos nossos olhos neste mundo, os abriremos diante do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores.


Nesses momentos dolorosos, deixe o Senhor consolar e curar você. Creia n'Ele e O busque de todo o seu coração. A morte de Jim e dos demais missionários acabou ganhando notoriedade mundo afora, especialmente nos Estados Unidos. Muitos missionários e agências de envio ficaram preocupados com questões de segurança, e muitos questionaram sobre a injustiça daquela tragédia e a necessidade de punição. Diante de tudo isso, decidi que era hora de voltar para casa, ao menos por um tempo. De volta aos Estados Unidos, diante de tamanha comoção, percebi que as pessoas precisavam conhecer de fato nossa história, a história de Jim e de todos aqueles valentes homens de Deus dispostos a dar suas vidas em favor daqueles que muitos consideravam como inimigos.


Compartilhando a História de Fé e Sacrifício


Jim tinha uma frase que costumava dizer e estava anotada em sua Bíblia, também usada em um de seus sermões: "Não é tolo aquele que dá o que não pode reter para ganhar o que não pode perder." Eu queria que as pessoas entendessem isso: Jim e os outros não estavam perdendo suas vidas por nada, mas as entregaram de bom grado nas mãos do Senhor no cumprimento do chamado de Deus para eles. Eu queria também compartilhar sobre a importância de não desistirmos de levar o evangelho aos perdidos, mesmo a custo de sacrifícios pessoais e até de nossa própria vida.


Por isso, escrevi nossa história e a publiquei em 1956, no mesmo ano em que perdi meu marido. Chamei aquele livro de "Através dos Portais do Esplendor" porque queria que todos entendessem que eu não considerava a morte dele como perda. Eu sempre sentiria falta dele, mas ele deu sua vida para que outros pudessem conhecer a Cristo, e nada poderia me deixar mais orgulhosa do que isso.


Após algum tempo nos Estados Unidos, senti de Deus que era hora de voltar para o Equador para dar sequência ao trabalho entre os Kichwas e, se Deus permitisse, para realizar a obra que Jim não pôde fazer e chegar até os Aucas. No tempo que vivia com minha filha e outras missionárias, havia duas índias Aucas na região. Percebi que aquela era a oportunidade de Deus para me aproximar e pedi a elas que me ensinassem o idioma da tribo. Enquanto aprendia, orava ao Senhor para que nos abrisse uma porta para que o amor de Deus alcançasse aquele povo.


Missão entre os Aucas


Uma das índias se chamava Dayuma, e quando ela voltou para a tribo Auca, levou nosso pedido de um encontro e fez uma ponte entre eles e nós. Foi muito desafiador estabelecer esse contato inicial e pedir a eles que nos permitissem conhecê-los. Eles estavam muito fechados e reticentes; os homens brancos já os tinham explorado, assassinado e enganado.


Eles tinham medo e raiva, mas não desistimos. Eu queria dizer a eles que Jesus entendia como se sentiam e queria acolhê-los e libertá-los. Eu queria dizer a eles que não os culpava pela morte de Jim, que eu os amava e queria que pudéssemos viver como irmãos.


Deus me permitiu fazer e dizer cada uma dessas coisas, pois em 1958, quando Valerie tinha 3 anos, nos mudamos para a tribo deles juntamente com a irmã de um dos missionários mortos em 1956. Muitos me disseram que aquilo era loucura: uma mãe solteira levando sua pequena filha para viver em meio a uma tribo indígena violenta. Mas eu sabia que Deus estava me abrindo aquela porta, e eu entrei por ela.


Foi um trabalho árduo viver e pregar o evangelho naquela tribo. Porém, como nos ensina Paulo na primeira carta aos Coríntios: "Sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor." Eu pude ver isso claramente: nosso trabalho no Senhor não foi em vão. Um dos primeiros índios a se converter naquela tribo foi um dos homens que matou Jim e seus amigos. Pela graça de Deus, ele e tantos outros puderam ser salvos.


Valerie se adaptou bem entre os indígenas e fez muitos amigos. Permanecemos morando e trabalhando naquela tribo até 1963. Lá, vimos a transformação que o Espírito de Deus faz no coração do homem. Aquela tribo foi sendo totalmente mudada pelo poder do evangelho e pela graça de nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso, quero encorajar você que talvez possa estar se sentindo desanimado em seu trabalho para o Senhor. Eu sei como pode ser desgastante às vezes, como nem sempre conseguimos enxergar os frutos, mas creia: eles estão lá. A palavra do Senhor nunca volta vazia. Continue a lançar a palavra e deixe Deus agir.


Retorno aos Estados Unidos e Novo Casamento


Em 1963, voltamos para os Estados Unidos. Comecei a me dedicar à escrita de outros livros. O Senhor me mostrou a importância de usar o dom e a facilidade de escrever para fortalecer e edificar os irmãos através daquilo que Ele mesmo trouxe ao meu coração ao longo da minha caminhada. Em 1969, me casei novamente com um professor de teologia chamado Addison Leitch. Ele era um homem cheio de Deus, e nosso casamento foi muito feliz. Infelizmente, ele faleceu em 1973, apenas quatro anos depois de nos casarmos.


Novamente, tive que lidar com o luto, mas busquei do Senhor fortalecimento e consolo.

No outono de 1974, me tornei professora adjunta no corpo docente do Seminário Teológico onde Addison trabalhou. Aquilo foi uma honra e uma alegria para mim. Por vários anos, ministrei um curso popular intitulado "Expressão Cristã". Pude também trabalhar como uma das consultoras estilísticas no comitê de criação da Nova Versão Internacional da Bíblia, a NVI. O mundo estava mudando e o papel da mulher estava sendo cada dia mais deturpado. Ideias feministas estavam invadindo as igrejas, e me senti impulsionada por Deus para lutar contra isso.


Queria mostrar às minhas irmãs que elas não precisavam competir com os homens ou serem iguais a eles; elas deveriam buscar ser quem Deus as criou para ser e assumirem o papel que Deus atribuiu a cada uma de nós como mulheres, desde o Éden. Afinal, a Bíblia nos ensina que não devemos nos amoldar a este mundo, mas sermos renovados na nossa mentalidade pelo Espírito Santo.


Escrita e Ministério


Aproveitando que Valerie havia sido pedida em casamento, decidi escrever uma série de cartas para ela, para ajudá-la em sua jornada como mulher, esposa e mãe. Publiquei essas cartas no formato do livro "Deixe-me Ser Mulher" para inspirar outras além dela.


Pela graça de Deus, pude me casar novamente, desta vez com Lars Gren, que era capelão de um hospital. Eu o conheci como um inquilino que alugou um dos quartos em minha casa. À medida que nos aproximamos, gostamos cada vez mais da companhia um do outro. Nos casamos em 1977 e permanecemos juntos até o fim da minha vida. Lars se tornou meu companheiro de vida, lutas e ministério, e um verdadeiro pai para Valerie.


Durante 13 anos, apresentei um programa de rádio voltado para as mulheres, chamado "Gateway to Joy" (Portal da Alegria), e escrevi muitos livros. Ao todo, tive 24 livros publicados. Atuei dando palestras até o ano de 2004, quando infelizmente comecei a ser acometida de demência. Lutei bravamente contra a doença pelos 11 anos seguintes, até que o Pai, em Sua infinita graça e bondade, me levou para casa. Fechei os olhos nesta Terra e os abri diante do meu Rei e Senhor. Enfim, atravessei eu mesma os portais do esplendor.

 

Espero que minha história inspire você a confiar na bondade de Deus, mesmo em meio à dor e ao luto. Que você possa encontrar força na fé e continuar perseverando no chamado que Deus tem para a sua vida.

 

Fonte: Glorify


Minibiografia:


Elisabeth Elliot foi uma missionária, tradutora, escritora e palestrante protestante belga. Enquanto estivera em missão no leste do Equador, para evangelização do povo Auca, seu primeiro marido, também missionário, Jim Elliot, foi morto, em 1956, na tentativa de contato com os huaoranis.

Nascimento: 21 de dezembro de 1926, Bruxelas, Belgica

Falecimento: 15 de junho de 2015, Massachusetts EUA

Cônjuge: Lars Gren (de 1977 a 2015),Addison Leitch (de 1969 a 1973), Jim Elliot (de 1953 a 1956)

Filhas: Valerie Elliot Shepard

Pais: Katherine Gillingham, Philip E. Howard Jr


Alguns livros de Elisabeth Elliot :



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