As crianças podem mudar o mundo - Escritora: Flora Maria Castelo Branco Correia Santos
- nenadafonseca
- há 6 horas
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Nasci em Teresina/PI; residi os últimos 38 anos em Porto Velho/RO; há alguns anos resido em Brasília/DF.
Possuo formação acadêmica em direito, educação infantil e universitária.
Escrevi meu primeiro livro em 2001, dedicado à minha filha. Em 2008, escrevi "Era uma vez um peixe". Depois, surgiram outros livros infantis. Além desses, escrevi um romance e um livro de orações.
As crianças podem mudar o mundo
Conhecer o Brasil é algo excitante, principalmente se nos detivermos na região norte. Em um momento da minha vida, eu trabalhava e buscava conhecer o Estado de Rondônia, ao mesmo tempo. Na divisa de Rondônia com a Bolívia, existe o Rio Guaporé. Do lado brasileiro, há uma cidade pequenina, que adoro, chamada Costa Marques.
Há mais de dez anos, chegar neste ponto do Brasil era muito sacrificante: estrada bem rústica, poucas cidades nos percursos da capital ao interior. Mas, ao chegar em Costa Marques, conseguimos desfrutar da beleza do Rio Guaporé. As margens do rio eram o que importava. Lá, o anoitecer e o amanhecer são belíssimos. Em qualquer momento do dia, podíamos ficar sonhando com o que víamos e ouvíamos: o cantar dos pássaros, o barulho das águas, as pessoas indo e vindo em suas canoinhas...
Um dia, em meio a essa beleza toda, fui surpreendida ao olhar as águas do rio bem próximas às margens. Pude constatar o lixo: objetos de toda natureza, sacolas plásticas, copos, garrafas, etc.
Indignei-me com o que vi e assim nasceu a minha história infantil: Era uma vez um peixe, que uma amiga e artista plástica, Maria Regina Crema, ilustrou. Acredito que educando nossas crianças, podemos mudar nosso ambiente, já que o lixo encontrado é resultado de ações dos adultos de hoje que não receberam a educação adequada para se importar com isso.
Em outro momento, na cidade de Porto Velho, onde eu residia, ao abrir a janela do apartamento, o vento, com uma enorme quantidade de fuligem, entrou. Apavorada, constatei pela visão da janela, que meus vizinhos juntavam lixo nos seus quintais e ateavam fogo. Era um bairro bem próximo ao centro, acontecendo fatos desta natureza. Imaginem nos bairros mais distantes, onde o caminhão do lixo não chegava e ia em uma frequência insuficiente. E na área rural, as célebres e divulgadas queimadas?
Assim, surgiu Salve os bichos do quintal, com ilustração, novamente, da artista plástica Maria Regina Crema. Mais uma vez, busquei ajuda das crianças para mudar o mundo. Fiz uma distribuição pequena, em que eu mesma financiei as edições, mas ainda aguardo a possibilidade de emocionar algum produtor para distribuir estes livrinhos a todas as crianças do Brasil. Esta vontade de mudar o mundo através de histórias infantis me fez escrever mais duas historinhas, ainda não publicadas: a história do copo descartável após a festa de aniversário e a historinha da sacolinha plástica depois de sair do supermercado. Conheçam minhas histórias e me ajudem a educar as crianças de hoje para serem melhores adultos no futuro.
O estudo sobre o meio ambiente e a conscientização ecológica são de extrema importância na formação das crianças. É papel da família incentivar e proporcionar uma educação que desperte o cuidado com a natureza desde cedo.
Quando as crianças têm a oportunidade de conhecer e vivenciar a beleza da natureza, como a experiência junto ao Rio Guaporé, desperta-se nelas um senso de apreciação e preservação. Ao presenciar a triste realidade do rio poluído, com lixo e objetos descartados, elas compreendem a importância de agir de forma responsável em relação ao meio ambiente.
Então, um conselho aos pais: levem seus filhos a parques, cachoeiras,... e deem a eles a oportunidade de ver como a natureza é bela, como a criação de Deus é perfeita!
É fundamental que os adultos transmitam valores e ensinamentos sobre a importância de conservar o meio ambiente, utilizando os recursos naturais de forma sustentável e reduzindo o desperdício. Ao observar práticas nocivas, como queimar lixo nos quintais, as crianças compreendem os impactos negativos dessa ação e são motivadas a buscar alternativas mais adequadas para o descarte de resíduos.
Além disso, por meio de histórias infantis, como Era uma vez um peixe, Salve os bichos do quintal e outras, é possível despertar o interesse das crianças pelo cuidado com o meio ambiente. Essas histórias proporcionam reflexões sobre a importância de preservar a natureza e apresentam soluções criativas para os problemas ambientais.
Dessa forma, ao levar uma educação ecológica aos filhos, a família desempenha um papel fundamental na formação de indivíduos conscientes e responsáveis, que compreendem a importância de preservar o meio ambiente para as gerações futuras. Esses valores, transmitidos desde a infância, têm o poder de transformar crianças em adultos engajados na busca por um mundo mais sustentável e equilibrado.
E por falar em infância, aproveito para contar um pouco da infância de minhas filhas. A criatividade sempre foi incentivada no meu lar. Em minha casa, eu espero que as minhas crianças possam mudar o mundo, se quiserem, é lógico. Muito cedo, incentivei a leitura em casa. A filha mais velha tinha um livro com 365 histórias para contar, uma por dia. Já a segunda filha ouvia histórias inventadas no momento, que iam de duendes às pinturas das flores.
Cada uma mereceu sua história. A primeira filha teve o livro até publicado: Casa de lençois. Era sua brincadeira preferida. Cobria cadeiras com lençois e passava horas a fio nessa casa construída, uma a cada dia. No texto, lembro bem do início: “Eu quero que você me encontre naquela casa que é minha, feita dentro do peito, como se fosse um ninho. Cercada de lençois e cadeiras, guarda muitos sonhos em seu espaço”.
A segunda filha nasceu prematura. A história escrita para ela teve o título: Dois palmos e dois quilos. Não chegamos a publicar porque, à época, tivemos muita dificuldade com ilustradores. Na era tecnológica, o texto está preservado. E com este texto, finalizamos nossa história que espero servir de motivação para você também escrever e colocar no papel suas emoções. Muitas vezes, só vislumbramos obstáculos, mas, de história a história, realizamos nossos sonhos.
Trecho do livro Dois palmos e dois quilos: “Na palma da mão, parecia um duende, tão pequenina era aquela menina. Ficava quietinha, não se mexia e chorava baixinho. Mamava, dormia. Mamava, dormia. Uma Flor ajudava nos cuidados e ela foi crescendo, crescendo. De pé, por vezes caía, e vinha então um choro. Parecia um grilo falante e que iria tomar suco de “macurujá”. Engatinhou, levantou, chorou fraquinho, gritou e gritou bem alto. Hoje, a nossa Maria já crescida é a maior de todas, um metro de danação.”
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