Superação: Testemunho de Elizabeth Lira
- nenadafonseca

- há 4 dias
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Elizabeth Lira, dentre outras coisas, significa “casa de Deus que acalma a alma”.
Nasci em Nova Iguaçu/RJ e, atualmente, moro em Angra dos Reis/RJ. Decidi me dedicar integralmente à minha família após trabalhar por mais de quinze anos em grandes empresas como administradora e especialista em Engenharia Econômica pela UERJ.
Sou esposa de Luis Felipe, mãe da artista Aimée e do charmoso Ramiro. Tenho seguido o chamado de meu nome, levando a presença de Deus, com alegria e paz em cada lugar que passo.
Superação
Cresci em uma casa marcada pela sombra implacável da doença mental. Desde que nasci, fazia visitas regulares a uma amada pessoa que, frequentemente, era internada em hospitais psiquiátricos. Durante essas visitas, me lembro de brincar sobre os belos e verdejantes gramados das instalações, que encobrem a verdadeira natureza do lugar. A atmosfera daqueles corredores saturados de gritos, desespero e medo ficou tão enraizada em mim, que jurei nunca retornar. A vida, no entanto, tinha seus próprios planos.
Apesar de assombrosas lembranças de dor e choro, também fui contemplada com muitos risos e momentos marcados com a proteção de minha mãe, os ensinos de meu pai e o zelo de meu irmão. No entanto, a lembrança que se somou a todos esses bons sentimentos e ainda mudou minha vida totalmente foi quando eu tinha, aproximadamente, 7 anos de idade e estava muito triste, após ter vivido alguma situação que me fez pensar em me despedir deste mundo e conhecer Jesus face a face. Nesse dia, me recolhi escondida no quarto de ferramentas do meu pai, fiz um cantinho para deitar, apertei meu único ursinho de pelúcia no meu peito e chorei, amarga e silenciosamente. Instantes depois, senti o colo
aconchegante do Pai embaixo da minha cabeça, juntamente com Suas mãos fazendo cafuné em meus cabelos e ouvi a afirmação imutável e inegável: “Eu te amo, filhinha. Eu estou com você. Vai ficar tudo bem”.
Somente me deliciei com aquele inexplicável amor e descansei, leve, feliz e tranquilamente. Dizer que tal experiência foi fruto da imaginação, seria grande desonra para conjuntura tão doce e verdadeira. De fato e de verdade, Deus Pai foi ao meu encontro naquele dia e mudou minha vida com a verdade de que sou amada e de que Ele está comigo a todo tempo. Essa verdade tornou-se inegociável por toda minha vida: DEUS É REAL e ELE ME AMA. O impacto dessa experiência foi tão profundo, que não recordo o motivo da tristeza. Apenas lembro que meu amado Deus levou sobre si meu sofrimento e encheu meu coração com perfeita paz.
Continuei crescendo e amadurecendo. Comecei a trabalhar, me casei com meu primeiro e único amor, concluí uma faculdade e uma especialização, tivemos nossa primeira filha.
Passei por muitos problemas (finanças, saúde, família, emoções e, inclusive, crise espiritual) e apesar de todos os desafios da vida, aquela certeza de que meu Pai Celestial não me abandona era viva em mim. Eu sou amada!
E quando sabemos quem somos, não queremos ser cópias de nenhuma outra pessoa. Aimée, minha primeira filha, orava, fervorosamente, por um irmão e suas preces eram detalhadas e intensas. Ela implorava a Deus por um irmão bochechudo, saudável, tanto fisicamente quanto mental- mente.
Quatro anos após persistentes orações, ela recebeu o irmão que tanto desejava. E assim engravidei exatamente como Aimée tinha descrito em suas orações.
Mas durante a gestação, comecei a ter sonhos inquietantes, que prenunciava uma verdade que eu não estava pronta para aceitar. Nos meus sonhos, Ramiro era autista. Quando Ramiro completou 2 anos de idade, o neurologista confirmou o laudo de autismo nível II de suporte. Descobri que esses sonhos eram uma realidade. Assim, fui arremessada de volta ao mundo de ambientes de terapias psiquiátricas, revivendo a promessa quebrada a mim mesma na infância.
Confesso que a frustração tomou conta de nossos corações. Minha filha não pôde brincar como queria, meu marido não pôde ensinar o que gostaria e eu não pude conversar como desejei, mas todas as frustrações foram adaptadas. Então, apesar da atipicidade, nós fazemos tudo o que gostaríamos, celebrando cada evolução. Abro aqui um parêntese para os cuidadores atípicos: CELEBREM OS AVANÇOS; não se deixem enganar com expectativas vindas pela comparação com o neurotípico. A celebração nos deixa leves, enquanto a comparação traz um fardo que, além de pesado, não nos pertence. Fecho aqui o parêntese.
Após o primeiro momento de choro e dor, Jesus Cristo me trouxe à memória que Ele é a força quando estou fraca, e que Ele é presente em nossa casa, nos amando, protegendo, ensinando e zelando. No início, eu chorava com o desejo de ouvir meu filho pronunciar a simples palavra “mamãe”. Isso demorou um pouco mais do que as demais crianças, mas, hoje, ele não só nos chama, como também, em algumas situações, diz o que gostaria. Agora, enquanto me desloco por corredores silenciosos e observo os rostos de outros pais carregados de exaustão, sinto em meu coração uma intensa convocação para a ação: fazer com que outras pessoas vejam e sintam o amor de Deus Pai. Quanta ironia perceber que o lugar que estava trancado em meu coração, por trazer lembranças dolorosas, atualmente, tem se tornado um ambiente onde posso cumprir meu propósito, consolando os que choram e encorajando os "desesperançosos".
Minha fé em Deus me inspira a trazer mudanças. Na verdade, eu quero ser a mudança. Desejo transformar esses espaços dolorosos em lugares de suporte e otimismo. Quero ser um farol de esperança para esses corações cansados e sobrecarregados, refletindo a luz do Reino de Deus.
Mesmo diante desse desafio, e ao rever o ambiente que rejeitei, me sinto revigorada. Acredito que Deus, em Sua infinita bondade, fornecerá o caminho para cumprir esta missão. E que, juntos, possamos melhorar o prognóstico dessas crianças e trazer cura na alma para mães e cuidadores.
“Mateus 5: 16 – Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus.
Jeremias 29: 11 – Porque sou eu que conheço os pensamentos que tenho para vocês, diz o Senhor dos Exércitos, planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro”.
Concluo dizendo que sempre sonhei com a maternidade, e digo, com autoridade, que estou realizada com meus presentes dados por Deus. Seus nomes são Aimée (“amada”) e Ramiro (“aquele que ensina de modo notável”). Ambos, perfeitos, nasceram exatamente como Deus quis e, com eles, temos crescido em amor e aprendizado, dia a dia.
Parafraseando as palavras de Davi no Salmo 139, eu te louvo, ó Senhor, pois fizeste meus filhos preciosos de modo especial e admirável. Tuas obras são maravilhosas. Aimée e Ramiro são maravilhosos. Digo isso com convicção.
Este testemunho faz parte do livro Storytelling Vidas Reais vol 1

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