Testemunho de Carlos Cezar Santana Lima Júnior - Caminho suave
- nenadafonseca

- 17 de abr.
- 4 min de leitura

Nasci em Brasília/DF, sou ex-judoca e advogado desde 2015.
Vou compartilhar a minha jornada que teve início nos tatames, quando eu era apenas uma criança hiperativa, transbordando energia, para não dizer outra coisa. Aos 4 anos de idade, minha mãe decidiu me matricular no judô. Ela buscava, principalmente, uma forma de canalizar minha vitalidade inesgotável e diminuir o caos que, muitas vezes, eu causava em casa. O que ela não sabia, naquele momento, é que essa simples decisão moldaria os próximos 20 anos da minha vida, de maneira profunda e inesperada.
Assim começou a minha jornada no mundo do judô; uma jornada que abrangeria dos 4 aos 24 anos de idade. Imaginem só, uma trajetória tão extensa, repleta de histórias e experiências que, somadas, me conduziram até onde estou hoje.
Permitam-me dizer, sem exagero, que eu tinha talento. Como qualquer atleta mirim, eu nutria o sonho de, um dia, participar das tão sonhadas Olimpíadas. Meus passos começaram modestos, triunfando nas competições locais da minha cidade, avançando para as do meu estado, conquistando a região e, por fim, erguendo o título nacional, o qual conquistei três vezes.
A jornada prosseguia com sucesso. Lembro-me, como se fosse ontem , um dos momentos mais felizes da minha vida, quando recebi a notícia da minha convocação para o Mundial de Judô, que seria sediado na China. Esta seria minha primeira incursão internacional, um evento que, ademais, serviria como seletiva para as Olimpíadas. Aumentei minha dedicação aos treinos, chegando a praticar, intensamente, por até sete dias por semana, sendo que dois dias treinava em dois períodos, perfazendo nove horários de treinos semanais. Minha vida se resumia a esses treinamentos vorazes. Quase não havia espaço para mais nada.
No entanto, como costuma acontecer, o destino gosta de lançar reviravoltas inesperadas. Apenas trinta dias antes da competição, sofri uma lesão. Apesar de, aparentemente, pequena —um corte de cinco centímetros no calcanhar— ela danificou, parcialmente, uma estrutura que, hoje, sinceramente, nem me recordo ao certo qual foi.
Porém, nunca esqueci as palavras do médico. Ainda na emergência, ele me disse: “Embora a lesão seja pequena, se você tivesse uns 35 anos, apenas levaria um ponto, sem maiores consequências para sua vida. No entanto, com seus 22 anos, seria prudente optar pela cirurgia”.
Naquele dia, estava diante de duas escolhas cruciais: ou tomar apenas uns pontos e participar da competição, mesmo sabendo que não estava em condições, ou ser prudente e realizar a cirurgia, o que significaria dizer adeus ao Mundial.
Optei pelo caminho mais sensato.
E é exatamente por causa dessa escolha que relato esta história hoje, sem arrependimentos.
Ao longo do trajeto.
compreendi que nossa atenção costuma se concentrar no destino e no resultado, quando, na verdade, é a jornada que nos molda, diariamente. Somos forjados pelas cicatrizes e experiências que a vida nos proporciona, e é a própria trajetória que nos presenteia com essas lições, mais do que os resultados em si.
Hoje, ao olhar para trás, percebo que, mesmo sem ter alcançado o Mundial, já era um vitorioso. A seleção me brindou com uma bolsa universitária. Cursei Direito e, desde 2015, atuo como advogado.
Embora pareça que o judô e a advocacia não tenham conexão, sinto que, mesmo sem aplicar golpes físicos em meus “adversários” embora a tentação, às vezes, surja, eu aprendi a lutar por meus resultados. Isso porque compreendi que nada na vida é fácil. O judô, cujo nome significa “caminho suave” em japonês, ironicamente, representou um desafio duro.
Na realidade, nada trilha um caminho verdadeiramente suave. Desconfie se alguém assim o afirmar!
Aos 22 anos, me formei e adentrei o universo da advocacia. Rapidamente, constatei que o campo jurídico se assemelha a um tatame, onde apenas os destemidos e criativos triunfam.
Resolvi adotar uma abordagem distinta. Empregando estratégias perspicazes, forjei um método de trabalho singular que atraiu um séquito de clientes.
Em um piscar de olhos, criei uma reputação sólida, o que me possibilitou atender a mais de mil clientes. Nesta caminhada pela vida, internalizei uma verdade crucial: não
importa o âmbito em que atuamos, desde que nos dediquemos, inovemos e enfrentemos desafios com otimismo. Os resultados virão. E, mesmo que venham conforme nossas expectativas, trarão consigo uma riqueza incalculável de experiência.
A existência, por vezes, nos conduz por veredas inesperadas e nos impõe decisões difíceis. O encerramento, por vezes, sinaliza um novo começo.
Lembremo-nos: em nossa trajetória, encontraremos a força e determinação de um atleta, e iremos trilhar nosso próprio “caminho suave”.
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Carlos Cezar é cristão e sempre confiou em Deus e em Sua direção, este testemunho faz parte do livro Storytelling Vidas Reais vol 1, lançado em 2023.


🌸 Obrigada por permanecer aqui até o final. Que o Senhor derrame graça abundante sobre seus pensamentos e caminhos. Seja um instrumento de bênção ao compartilhar esta mensagem.






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