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Resgatada pelo amor de Deus - Testemunho de Marta Francisco França

há 2 dias
5 min de leitura
Resgatada pelo amor de Deus - Testemunho de Marta Francisco França
Resgatada pelo amor de Deus - Testemunho de Marta Francisco França

Estou casada há 23 anos, tenho 10 filhos, sendo 6 homens e 4 mulheres. Moro no Bairro Jardim das Rosas, em São Paulo/SP.

Tenho 19 netos e sou diarista.

Dei vida ao “Projeto dos Sonhos”, um lugar mágico, onde celebro festas de aniversário para crianças que nunca experimentaram essa alegria, e doações de cestas básicas aos mais necessitados. Recebo auxílio para isso e você também pode ser um doador. Entre em contato comigo.


Resgatada pelo amor de Deus

 

Eu fui adotada. Minha mãe biológica me abandonou, e o motivo permanece desconhecido. Sei apenas que ela era de Vitória da Conquista/ BA, mas nunca tive o privilégio de conhecê-la. Minha mãe adotiva me acolheu quando eu tinha apenas 10 dias de vida. Ao descobrir essa verdade, uma mistura de emoções me invadiu, deixando-me extremamente chateada.


Desde o início, não fui tratada como uma filha. Pelo contrário, enfrentei maus-tratos constantes. Enquanto meus irmãos de criação desfrutavam de uma vida confortável, eu era a encarregada de tarefas pesadas, desde pequena. Arrumava a casa, executava todo o tipo de serviço e, para piorar, sofria abusos físicos constantes.


Não bastassem os abusos físicos que suportei, também fui vítima de abuso psicológico e invasão da minha privacidade. Palavras constrangedoras e toques inadequados eram comuns, gerando em mim um constante sentimento de ameaça. Tudo isso ocorria sem meu consentimento, com o único objetivo de satisfazer aos desejos de outro.


Essa realidade perdurou até a minha adolescência. Incapaz de escapar dessa situação insuportável, tomei a difícil decisão de fugir de casa. Sem apoio, acabei nas ruas, onde a vida era uma luta constante contra a fome, o frio e os perigos. Foi nesse cenário desesperador que encontrei nas drogas um alívio momentâneo.


Aos 18 anos, engravidar trouxe uma nova reviravolta à minha história. Fui morar com minha cunhada, mas lá também enfrentei abusos, dessa vez pelas mãos do pai do meu filho, que me batia.


Quando meu pai adotivo descobriu a gravidez, propôs que eu fosse viver com a irmã dele, na Aclimação. Contudo, a condição era chocante: eu deveria abortar meu filho para permanecer lá. Diante desse dilema, escolhi deixar aquela casa.


Busquei abrigo em uma delegacia, onde relatei toda a minha história a um delegado compreensivo, que me permitiu descansar em uma cela. No dia seguinte, fui encaminhada ao Amparo Maternal.


Mais tarde, comecei a trabalhar na casa de uma moça, cuidando da casa e de sua filha. No entanto, o irmão dela, usuário de drogas, tentou me abusar. Diante dessa ameaça, fugi, saltando o muro, e retornei à delegacia, dessa vez em Água Fria, onde expliquei novamente minha situação ao delegado.


Peguei um táxi e voltei à casa da minha mãe adotiva. No entanto, o filho dela não permitiu que eu ficasse, forçando-me a retornar às ruas.


Vivi cada momento da minha gravidez nas ruas. As noites frias e os dias incertos se tornaram meus companheiros mais próximos enquanto carregava em meu ventre a esperança de uma nova vida.


Sozinha e desamparada, passei mal e fui avistada na parada de ônibus pelo meu irmão adotivo que virou às costas para mim. Por providência divina, uma viatura policial me levou ao hospital da Zona Leste, onde dei à luz em 29 de setembro de 1987.


Fui acolhida  na casa da minha mãe adotada por cerca de 15 dias, um período que trouxe consigo uma mistura de esperança e apreensão. Acreditava que, talvez, finalmente, encontraria um lar onde pudesse pertencer e ser amada, mas o que encontrei foram humilhações crueis que dilaceraram minha alma. Porém, o destino reservava mais desafios para mim.


Em um giro brutal de eventos, meu filho foi arrancado dos meus braços, e, novamente, me vi relegada às ruas, como se fosse um fardo indesejado. A dor dessa separação foi um golpe, uma ferida que se somava às cicatrizes de tantas outras experiências crueis que vivenciei.


Diante de tudo o que vivi, é, realmente, um verdadeiro milagre que eu esteja aqui hoje, testemunhando a misericórdia divina que me sustentou nos momentos mais sombrios.


Cada passo que dei pelas ruas foi uma prova de resiliência, cada vez que enfrentei o frio cortante ou a fome lancinante foi um testemunho de coragem.


Nos momentos sombrios, sentia repugnância por mim mesma e nutria um ódio intenso por tudo que suportei calada. Era ameaçada e não tinha voz para denunciar os abusos. Essa dor era avassaladora e quase insuperável.


Entretanto, uma luz brilhou no fim do túnel sombrio. Conheci um rapaz que me acolheu em sua casa, nos casamos e juntos construímos uma família. Atualmente, tenho filhos e netos.


Com o sofrimento, transformei-me em uma pessoa melhor.


Do cenário sombrio, emergiu o “Projeto dos Sonhos”, e, com ele, um turbilhão de emoções e uma nova razão para viver. Hoje, tenho a incrível oportunidade de proporcionar alegria através das festas que organizei para as crianças, assim como oferecer cestas básicas que amenizam o fardo das famílias carentes.


Mesmo quando me encontro em situações em que não posso agir sozinha, confio na solidariedade das pessoas. Mobilizar aqueles que têm os meios para contribuir, e disse- mino a lição constante de que juntos podemos fazer a diferença.


Neste espaço, não posso deixar de mencionar nomes que ressoam com alegria em meu coração: o artista Alexandre Borges, Nilza Nakamura, Alexandra, Dani Mesquita e seu esposo Flávio, o ator Reynaldo Gianecchini, e até a TV Globo, que trouxe a magia do “Sonho de Natal” à nossa comunidade. Cada um desses indivíduos desempenha um papel crucial nessa jornada de esperança e amor.


Através da graça divina, superei todas as adversidades que a vida me impôs. Enquanto estendo a mão para ajudar os outros, sinto a presença de Deus ao meu lado, guiando-me em cada passo.


A perspectiva de compartilhar minha história em um livro é uma fonte inesgotável de alegria. Quero expressar minha gratidão à escritora Nena Fonseca, cujo incentivo me ajudou a desenterrar a esperança que pensei ter perdido.


A ansiedade de autografar meu próprio livro é como um fogo ardente dentro de mim.

Meus sonhos jamais serão abandonados; eles são o motor que me impulsiona a seguir em frente.


Não permitirei que nenhuma criança que eu possa ajudar sofra a terrível angústia da fome, pois sei o que é dormir com o estômago vazio. Somente eu e Deus conhecemos as profundezas das minhas provações, mas a vitória é minha. E toda a glória a Deus por isso.


Este capítulo faz parte do livro Storytelling Vidas Reais vol 1 2023


“O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã." (Salmos 30:5)
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Cada relato é uma luz que pode guiar outros no caminho do Senhor. Não subestime o poder do seu testemunho; ele pode trazer esperança.
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Clique abaixo e dê continuidade ao seu desenvolvimento na fé.
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🌿 Receba minha gratidão por sua presença fiel. Que Deus renove suas forças e encha sua vida de propósito.
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1 comentário

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Marcelo Marques
há 27 minutos
Avaliado com 5 de 5 estrelas.

Infelizmente ainda hoje muitos estão passando por estas fases. Mas Deus sempre tem um propósito e quando a pessoa se permite deixar Cristo ajudar. Ai ela é alcançada pela graça. Enquanto uns apontam o dedo outras estendem as maos.

Minha infância foi triste também muita fome e descriminacao mas Deus cuidou de mim

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