Testemunho contado por André da Rocha Silva -Liberto por Deus do tabagismo
- nenadafonseca

- há 1 dia
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Sou engenheiro mecânico e perito criminal do Estado do Rio Grande do Norte. Casado com Marilu, tenho dois filhos: Gabriela e Izac.
Gosto bastante de ler e sou amante da Literatura de Cordel, possuindo um canal na plataforma YouTube onde declamo poemas de cordel de cunho cristão de minha autoria.
O início desta história se dá na pequena cidade de Fernando Pedroza, sertão do Rio Grande do Norte. Em 13 de novembro de 1937, nasceu meu pai, Valdemar Ferreira.
Ele não teve vida fácil. Já na infância passou seus primeiros perrengues. Aos 4 anos de vida, perdeu a mãe. O pai dele, meu avô Francisco, sabendo da construção da Base Aérea de Natal pelos americanos, migrou a fim de conseguir trabalho por lá, e, tendo logrado êxito, fixou residência em Parnamirim/RN. O pequeno Valdemar foi deixado ao cuidado de tios, sendo criado junto com seus primos irmãos.
Ao ficar mais velho, dando conta de que o próprio pai o abandonara, começou a nutrir ressentimentos em sua alma. Com 14 anos de idade, já trabalhava em uma pedreira no sertão, sendo influenciado por seus colegas de trabalho mais velhos a experimentar o cigarro. A decisão de experimentar aquela “sensação arretada” tornar-se-ia uma de suas piores decisões de vida. Àquela época, o fumo era visto como uma espécie de afirmação masculina. Se o indivíduo fosse “homem de verdade”, teria que ser fumante.
Embora ainda muito jovem meu pai, já bastante calejado pela vida, viu ali a oportunidade de autoafirmação.
Após meu pai completar os 15 anos, meu avô, que se casara novamente, foi ao sertão buscar meu pai para levá-lo para casa. No entanto, o relacionamento com Geralda, sua madrasta, não era dos melhores, servindo apenas para nutrir ainda mais o mau sentimento que já carregava na alma. O que poderia ser uma reaproximação, serviu para afastá-los ainda mais no campo sentimental.
Aos 18 anos, alistou-se na aeronáutica e, sendo convocado, iniciou o serviço militar. Nessa época, praticamente não ia para casa, passando a maior parte do tempo na Base Aérea, mesmo estando de folga.
Assim que deu baixa na Aeronáutica, decidiu ir embora para o Rio de Janeiro, migrando para lá em 1959, onde, àquela época, já moravam alguns de seus primos irmãos. Antes de sair, fez questão de dizer ao pai e à madrasta que não queria mais saber deles e que nunca mais os veria.
Uma vez no Rio de Janeiro, levava uma vida desregrada. Seu primeiro emprego na nova cidade, em uma cervejaria, colaborou para que iniciasse um novo vício. Saindo da cervejaria, foi trabalhar em uma conhecida indústria de cigarros, o que facilitou o aprofundamento no tabagismo. Agora, já fumava sessenta cigarros por dia!
Evidente que o estilo de vida que meu pai levava iria cobrar seu preço. Em poucos anos, adoeceu. Os médicos o impuseram uma dieta bastante restritiva, além de sugerirem o abandono dos vícios. Quanto à bebida, embora não a deixasse totalmente, ele reduziu bastante o consumo. Porém, o cigarro, nem um pouco.
Certo dia, trabalhando como segurança da extinta Varig, encontrou-se, nas dependências do Aeroporto Santos Dumont, com um ex-colega de trabalho, o qual estranhou o fato de meu pai estar tão magro.
Na conversa, meu pai contou a ele sobre os problemas de saúde que tinha adquirido. Aquele ex-colega, então, o convidou para ir à igreja que ele frequentava, a catedral das Assembleias de Deus, em Madureira, dizendo a ele que Deus, certamente, aliviaria seu fardo.
Meu pai resolveu aceitar o convite. Nunca pensara em adentrar um templo evangélico. Ao contrário, ainda criança, lá no sertão, já participou do apedrejamento de um templo evangélico. Mas, como sua saúde se deteriorava cada vez mais, pensou consigo: O que teria a perder? Pior do que está, não fica!
No domingo à noite, pegou uma condução rumo à Madureira. No caminho, começou a passar mal e a sentir fortes dores. Resolveu, então, voltar para casa. Ao chegar em casa, misteriosamente, todo o mal-estar passou. No domingo seguinte, novamente, se pôs a caminho da igreja e o mesmo mal-estar do domingo anterior o acometeu durante a viagem. Novamente, pensou em desistir, mas, desta vez, decidiu continuar.
Ao chegar na portaria do templo, lá estava seu ex-colega, que ficou muito feliz com a visita.
Meu pai contou a ele todo o mal-estar pelo qual estava passando e foi conduzido ao porão do templo, onde alguns irmãos fizeram um círculo e oraram por ele, repreendendo todo o mal. Naquele exato momento, todo o mal-estar desapareceu. Ele, então, subiu ao salão principal do templo, participou do culto e, ao final, decidiu entregar sua vida a Cristo.
O vício da bebida, facilmente, abandonou. Porém, quanto ao tabagismo, não tinha forças. Um dos obreiros da igreja o orientou que conversasse, diretamente, com Deus, pedindo ajuda para que fosse liberto. Um mês após o início desse desafio, logo pela manhã, acendeu o que seria o primeiro cigarro do dia, porém o último em sua vida.
Após o segundo trago, sentiu um calor intenso subir da planta de seus pés até o alto da cabeça, momento em que disse sentir uma profunda aversão pelo fumo. Naquele momento, atirou o cigarro e o maço que acabara de comprar ao chão e os pisoteou. Os dias se passaram e meu pai não teve qualquer sintoma que sugerisse crise de abstinência e passou a sentir nojo do cheiro de cigarro. Estava liberto do tabagismo, para a Glória de Deus.
Mas essa história não acaba por aqui. Deus começou uma obra também no coração de meu pai, quebrando toda a dureza provocada pelo ressentimento. Ele decidiu, então, reatar os laços familiares com o pai e com a madrasta. Iniciou enviando uma carta, em que pediu perdão e contou tudo o que passara com ele no Rio de Janeiro, incluindo sua conversão e a libertação do tabagismo.
Assim que pôde, viajou para Parnamirim a fim de reencontrar seu pai e sua madrasta. Finalmente, os laços familiares foram reatados. O testemunho de vida, associado à visível mudança de comportamento de meu pai, impactaram sobremodo a vida de meu avô e de Geralda, ao ponto que também entregaram suas vidas a Cristo.
E, assim, fez o Senhor na vida do meu pai, homem que admiro e no qual se cumpriram as promessas das Sagradas Escrituras. O milagre que o Senhor operou em sua vida e seu legado de conversão não cabem na compreensão humana. Que o exemplo desse grande homem inspire as presentes e futuras gerações.
André da Rocha Silva
Testemunho que faz parte do livro Storytelling Vidas Reais vol 1


✨ Sou grata por sua companhia neste momento de reflexão. Que o Espírito Santo fortaleça sua fé e renove suas forças. Compartilhe com alguém que precisa dessa palavra hoje. 🙏






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