Porção dobrada´- Testemunho de Raul José Ferreira Júnior

Raul José Ferreira Júnior
Nasci em Recife/PE, em 23 de julho de 1964. Aos 11 anos de idade, fui morar no Rio de Janeiro, onde vivi até me mudar para Brasília/DF, em 1985.
Sou pastor batista, pós-graduado em Ética Pastoral, jornalista, pós-graduado em Marketing Empresarial, músico, escritor, empresário e casado com Gislaine Mara, com quem tenho dois filhos: Lucas e Sarah.
Sou presidente da ONG MIR-PHC2 e pastor presidente das Igrejas Batista Vida Nova e diretor do Capitol Ministries, em Brasília.
Porção dobrada
Fui consagrado ao ministério em 1995, mas só em 1998 me tornei pastor titular da igreja que eu iniciei, na W3 Sul de Brasília. Como o templo era alugado, o custo mensal da igreja era alto. Por isso, acumulamos 14 mil reais em dívidas.
Essa história começa quando minha irmã, que mora na Califórnia, Estados Unidos da América, me telefonou insistindo para que eu participasse da Shepherds Conference1 de 1999, em sua igreja. Eu havia conhecido a Grace Church2 , promotora da conferência, quando estive em Los Angeles, em 1989. Eu queria muito ir, mas não tinha condições financeiras e a conferência começaria em apenas dois meses. Mesmo assim, entrei no site e iniciei minha inscrição. Um e-mail de confirmação me foi enviado junto com as instruções para o pagamento da taxa de 300 dólares.
De repente, tomei coragem e resolvi escrever pedindo a hospedagem e a isenção da taxa. A resposta positiva veio dias depois: o pedido foi aprovado em consideração à distância que eu teria que percorrer. Porém, faltavam as passagens. Escrevi novamente pedindo.
O diretor respondeu que as passagens só eram concedidas aos palestrantes. Assim, me orientou a convencer minha igreja a fazer o investimento, já que ela mesma iria lucrar com o meu treinamento. Em resposta, relatei a má situação financeira que enfrentávamos.
A grande notícia veio a poucos dias da conferência. Ao ouvir minha história, o Pr. John Macarthur resolveu doar as passagens. Este foi o primeiro grande milagre! O Pr. John é um dos mais influentes e respeitados teólogos do mundo, com dezenas de livros escritos. Não imaginei que ele se importaria comigo. Porém, havia uma condição: eu deveria comprar as passagens e eles as reembolsariam em Los Angeles. Sem dinheiro, recorri a um amigo dono de uma agência de viagens no centro de Brasília. Depois de muito relutar, ele acabou convencido da vantagem que teria em parcelar as passagens no cartão da empresa e receber tudo à vista, em poucos dias, quando eu voltasse.
Cheguei em Los Angeles com apenas 10 dólares. Um simpático casal de idosos americanos me esperava no aeroporto. Eles iriam me hospedar. Minha irmã veio de Sand Canyon me encontrar e passamos o dia juntos. Mais tarde, saí para telefonar para minha esposa, pois não queria usar o telefone do casal. O cartão telefônico mais barato que achei custava 10 dólares, todo o meu dinheiro.
Na manhã seguinte, fiz o check-in na Grace e participei das palestras da tarde. À noite, o jantar foi servido no ginásio coberto da igreja. Havia mesas redondas com bandeirinhas dos lugares espalhadas pelo salão. Em uma delas, vazia, achei a bandeira do Brasil. Havia um grupo do New Mexico sentado próximo que me chamou para a sua mesa. Peguei a bandeirinha e fui. Ao longo da nossa conversa, acabei falando sobre as dificuldades que a igreja passava no Brasil.
Eles ficaram sensibilizados e, antes de sairmos, o líder deles, Pr. Tom Rush, orou por mim.
Do salão de jantar, fui para o templo. Ainda estava vazio, mas resolvi ficar esperando o começo da reunião. Um senhor daquele grupo do jantar, passou por mim e disse: “Não se preocupe pastor, Deus irá lhe ajudar”. Pensei: Esse fazendeiro bem podia ser usado por Deus. Na manhã seguinte, fui, com a senhora que me hospedava, ao supermercado. Depois das compras, enquanto caminhávamos pelo estacionamento, ela, subitamente, parou e me disse: “Deus mandou eu lhe dar uma oferta!”, pegou 100 dólares e me entregou. Eu não queria aceitar, pois eles já estavam fazendo muito por mim. Mas ela insistiu: “Deus quer abençoar a minha vida através dessa oferta, não atrapalhe!”. Tive que aceitar.
Os irmãos do Novo México eram sempre muito simpáticos comigo quando me encontravam no campus da Grace durante a conferência. Na plenária daquela segunda noite, o Pr. John fez um apelo por ofertas para um trabalho na Rússia. Eu quis convencer a mim mesmo que aquilo não me dizia respeito. Afinal, aqueles 100 dólares eram tudo que eu tinha e eu havia acabado de recebê-los. Mas me rendi e acabei oferecendo meus únicos 100 dólares. Depois pensei: Que loucura foi essa que eu fiz? Deus queria liberar o milagre através daquela semeadura e eu não estava entendendo.
No último dia da conferência, o Pr. Tom me convidou para pregar em Clovis, Novo México, sua cidade. Surpreso, aceitei mesmo sabendo da multa que teria de pagar a Vasp pela mudança da data. Ele prometeu enviar as passagens, minha e da minha irmã Abi, que iria cantar e me interpretar. No dia seguinte, cedo, a secretaria da igreja em Clovis nos ligou informando que uma tempestade havia coberto a cidade de neve e que a previsão era de que as igrejas não abrissem no domingo. A notícia me devastou, quase não dormi de quinta para sexta, clamando de joelhos por um milagre. Mas, graças a Deus, a secretária ligou no final da manhã de sexta-feira dizendo que Clovis, surpreendentemente, havia amanhecido quente e que a neve estava derretendo. Em seguida, pediu que corrêssemos para o aeroporto, pois o único voo que ela havia conseguido sairia em poucas horas.
Chegamos em cima da hora de embarcar. Ao desembarcar em Amarillo, Texas, o irmão Paul nos esperava. Eu já o conhecia da conferência. Viajamos duas horas até Clovis, na divisa com o Texas. Na manhã seguinte, quando chegamos em frente ao templo onde iríamos ter um café da manhã, lembrei-me de uma profecia antiga de uma irmã de Alexânia/GO, quando eu ainda era seminarista e solteiro. Ela não me conhecia, mas, ao orar por mim, teve a visão de um avião me levando para um lugar distante, onde havia uma igreja com a fachada cheia de tijolinhos vermelhos. Era a exata descrição da Primeira Igreja Batista de Clovis, onde eu estava.
No domingo de manhã, o templo estava lotado. Depois dos cânticos e do lindo solo da minha irmã Abi Ferreira, o Pr. Tom Rush falou sobre nós e me passou a palavra. Preguei em Êxodo 17:8-13, cujo texto diz que enquanto as mãos de Moisés estavam levantadas, Israel prevalecia contra Amaleque, mas Moisés estava levantado, Israel prevalecia contra Amaleque, mas quando baixava, Israel perdia. Falei da importância de a Igreja sustentar seus obreiros enquanto estão no front3 de batalha e sustentar as mãos do líder para obter vitória contra o inimigo. Sem saber, preguei a mensagem que a igreja precisava ouvir.
Quando encerrei, a igreja estava bastante impactada. O pastor, então, disse: “Irmãos, não há dúvida de que Deus falou conosco hoje através do pastor Raul. Como gratidão, vamos ajudar à igreja no Brasil!”.
Ele anunciou a decisão do conselho de doar o valor do fundo de missões para mim. Eu quase não acreditei quando o valor de cinco mil dólares foi anunciado! Tive que confirmar com a minha irmã se eu tinha ouvido certo. O pastor, então, deu oportunidade aos irmãos para que viessem à frente nos abraçar e colocar uma oferta pessoal na cesta colocada próxima de nós. Ficamos um bom tempo em pé, na primeira fileira, abraçando os irmãos que vinham em fila pelo corredor central da igreja. Ao final, as ofertas da cesta somaram três mil, elevando o total da oferta para oito mil dólares!
Naquele tempo, dólar e real tinham o mesmo valor. Na segunda-feira, retornamos para Los Angeles. Meu cunhado Moacir, que mora na cidade, já havia trocado o cheque de reembolso da Grace e me passado o valor. Moacir era gerente na Vasp e, na hora do embarque para o Brasil, era ele quem estava atendendo no guichê. Ao inserir os dados, ele viu que havia a multa de 100 dólares, mas ele disse: “Não se preocupe, vou retirar!”. Era Deus dizendo: Toma de volta os teus 100 dólares que você não queria me dar!
Era só para provar tua fé! Além disso, Moacir me encaminhou para a sala vip do aeroporto. Já sentado, na classe econômica do avião, outra benção: um funcionário da Vasp veio e me reacomodou na classe executiva.
O avião pousaria em São Paulo e, depois, haveria uma conexão para Brasília. Ao embarcar para Brasília, a aeromoça me entregou um jornal na porta do avião. A manchete era: Real tem desvalorização recorde e faz Dólar dobrar de preço! Ou seja, durante a viagem, a oferta de 8 mil dólares passou para 16 mil reais, mais do que o necessário para quitar as dívidas da igreja! Porção dobrada!
A minha amizade com o Pr. Tom permanece até hoje. Fizemos muitas coisas juntos depois daquela data. Eu preguei nas duas outras igrejas que ele pastoreou: na Flórida e na Geórgia. Ele também veio duas vezes ao Brasil para realizar conferências evangelísticas. Tom é um amigo muito estimado.
Hoje, temos Igrejas Batista Vida Nova em Taguatinga e no Recanto das Emas/DF e também amamos ajudar obreiros e ministérios. Naquele dia, em Alexânia, a irmã também viu duas alianças se unindo e disse para eu não me preocupar. Eram Gislaine e eu, que naquele tempo passávamos pelas lutas descritas no meu livro Amor a Três, que vale a pena ler. Nós nos casamos em 1995, temos dois filhos: Lucas e Sarah, outra porção dobrada de bênçãos! Louvamos a Deus por nos dar sempre além do que merecemos!
(Ing.) Conferência de Pastores.
(Ing.) Igreja da Graça
3 (Ing.) Linha de frente.
Este capítulo faz parte do livro Storytelling Vidas Reais vol 3

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