Testemunho de Rosângela Maria Sampaio Soares de Souza - Meu chamado missionário: Uma história de fé

“A voz do Espírito Santo de Deus é contundente, convincente e inconfundível. Ela não deixa margem de dúvida, pois a ovelha conhece a voz do Bom Pastor.” Rosângela Maria S. S. de Souza
Rosângela Maria Sampaio Soares de Souza
Conheça mais da autora:
Sou do Rio de Janeiro e tenho 55 anos. Sou formada em Liderança pela Missão Volante de Cristo (1989). Cursei bacharelado em Teologia, no Seminário Betel. Tenho faculdade de Letras Português e Literatura, incompleto. Estudei no internato, cursando o CTM na Missão Antioquia Vale da Benção/SP, em 1993, com período prático no Uruguai. Estudei Psicanálise, a nível de conhecimento, e Personal Organizer no intuito de autoajuda a mulheres no Projeto “TPM-
-Tempo Para a Mulher”.
Atualmente, auxílio no pastoreio da Igreja Comunidade Presbiteriana Rios de Água Viva, em Campo Grande, Rio de Janeiro/RJ.
Meu chamado missionário:
Uma história de fé
As ações de Deus na minha vida sempre foram velozes, revelando Sua grandiosidade. Aprendi a obedecer em minha jornada com Ele, como I Samuel 15:22: “Samuel, porém, respondeu: Acaso tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e em sacrifícios quanto em que se obedeça à sua Palavra? A obediência é melhor do que o sacrifício; e a submissão é melhor do que a gordura de carneiros”.
Minha conversão a Cristo, em 1987, foi marcada por um momento sobrenatural enquanto me preparava para sair para uma danceteria com minha amiga Gianne e o amigo Carlos. Uma voz quase tangível ecoou, instruindo-me a ir à uma igreja evangélica. Após resistência, cedi à terceira chamada e saí de casa, sentindo um impulso incontrolável. Guiada por sementes da fé plantadas por vizinhos, encontrei a Igreja Metodista Ortodoxa, na Praça de Itaguai.
Nessa noite, um grupo jovem apresentava a peça “Mãos Vazias”, e o som dos pratos da bateria, ecoando sobre a vinda de Cristo, tocou profundamente minha alma. Na conclusão da peça, emocionada, fui a primeira a chegar ao altar, chorando na presença do Senhor.
Essa memorável noite marcou minha confissão de fé, libertando-me do sincretismo Católico-Espírita do passado que me aprisionava.
A partir desse momento, Deus começou a agir de forma urgente em minha vida e ministério. Estive sob a orientação rigorosa da Missionária Vânia do Nascimento, em 1988, que desempenhou um papel vital na minha formação cristã. Logo em seguida, surgiu o desafio de integrar uma peça teatral na Missão Volante de Cristo, em Itaguaí. Aceitei e interpretei uma muçulmana. A frase citada pelo Pr. Júlio Pinto ecoou: “Se Jesus Cristo é Deus e morreu por mim, então nenhum sacrifício que eu fizer será grande demais para Ele. (C. T. Studd)”. Isso me marcou profundamente. O chamado missionário crescia em mim.
Em 1988/89, concluí o curso de Liderança na Missão Volante. Estudava Letras na Faculdade Simonsen, em Padre Miguel/RJ, embora minha vocação fosse a Teologia. Surgiu a oportunidade de ingressar no Seminário Betel/RJ, e no Internato na Missão Antioquia Vale da Benção/SP. Enfrentei a resistência dos meus pais que desejavam uma faculdade para mim. Optar pela Teologia foi um desafio, pois condicionam apoio à permanência na faculdade.
Num momento profundo com Deus, debaixo do beliche, chorei e conversei sobre essa decisão. A conversa foi um marco emocional na jornada. De repente, meus olhos se voltaram para cima da cama, onde encontrei um papel antigo. Ao lê-lo, vi minha própria caligrafia de três anos antes, logo após minha conversão. Estava escrito: “Ainda que meu pai e minha mãe me abandonem, o SENHOR me acolherá (Salmo 27:10)”. Essa mensagem me trouxe uma certeza profunda: foi uma profecia interior. Deus já sabia que eu precisava daquelas palavras. Foi um momento emocional de lágrimas e conexão intensa.
Decidi trancar a matrícula na faculdade naquela noite, guiada pela convicção. O reitor tentou me dissuadir, mas enfrentei o medo de desapontar minha família. Deus estava moldando meu crescimento, ensinando-me a confiar completamente Nele. Ouvindo meu nome ser chamado do terceiro andar, Rosilene, uma colega, gritou: “Provai e vede que o Senhor é bom!”. Minha alma vibrou, entendendo a mensagem divina.
Na mesma semana, me inscrevi no seminário no Rio de Janeiro, com dinheiro suficiente para apenas um mês. Abandonei um emprego estável, abraçando minha jornada missionária. Após quatro meses de estudo, enfrentando dificuldades financeiras, fui chamada à secretaria. Dona Tabita, reitora, informou-me sobre mensalidades atrasadas.
Um homem desconhecido ofereceu-se para pagar três mensalidades de quem necessitasse, coincidindo com minha situação. Entre lágrimas e gratidão, experienciei uma poderosa lição de fé, guiada pela Palavra de Deus. A identidade do homem permanece em mistério, mas acredito que foi Deus quem o enviou.
Mantendo a fé, um amigo, Ricardo, propôs vender roupas para custear o seminário. Essa oportunidade foi mais um testemunho da provisão divina em minha vida.
Em 1993, após direcionamento divino, escolhi a Missão Antioquia Vale da Benção, em São Paulo, dentre várias agências missionárias. Essa escolha era desafiadora, visto que era uma das missões mais dispendiosas do Brasil, na época. Aceitei o desafio, reconhecendo que Deus queria fortalecer minha fé. Parti em 1993, sem recursos financeiros, rumo à missão, confiando exclusivamente na providência divina. Minha decisão surpreendeu muitos, mas eu acreditava no Deus que me convocou. Durante minha jornada, vivi o milagre diário da provisão.
Após pedir permissão ao meu pastor para me despedir da igreja local e seguir para o internato missionário em São Paulo, compartilhei sobre meu destino no púlpito. Meus pais eram meus únicos apoiadores. Ninguém mais sabia que eu estava sem dinheiro, embora seguisse confiando no Deus que me chamou. No momento emocional, o pastor Paulo propôs à igreja apoiar financeiramente minha jornada, mensalmente, até eu terminar o curso no internato. A resposta afirmativa dos irmãos me trouxe esperança. Alguns irmãos chorando, disseram: “Sim, aleluia, glória a Deus!”. O Pr. Paulo disse: “Minha esposa e eu amanhã, iremos levá-la, de carro, até dentro da Missão, em São Paulo”. Ali, eu comecei a chorar pelo cuidado do “Dono da Seara”. Aleluia, bendito seja o Deus de missões!
O tempo passou e, próximo à conclusão do curso, enfrentei o desafio de financiar meu período prático no Uruguai. Deus operou milagres, mais uma vez, providenciando uma oferta inesperada durante uma aula em Campo Grande, RJ, suprindo o valor necessário em dólares. Onde já se viu, na história, um seminarista ir para a sala de aula com dólar? Deus, na Sua soberania, tocou o coração de alguns de forma milagrosa, que testemunharam o desejo de levar o dinheiro guardado em casa para a aula.
Hoje, junto a meu marido, Pr. Alexandre Mariano, pastoreio a Igreja Presbiteriana Rios de Água Viva/RJ. A jornada de fé persiste, como a passagem de Hebreus 10:38 que nos lembra: “O meu justo viverá pela fé”.
Se você tem um chamado missionário, siga com convicção. E não fique amedrontado! O “Dono da Seara” garante. Tenha fé em Cristo Jesus e prossiga.
Este capítulo faz parte do livro Storytelling Vidas Reais vol 1 - 2023

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